A Voz da Mulher na Câmara e no Senado: Como a representatividade feminina muda a pauta legislativa

Por Sandra Monteiro, da Redação

A democracia moderna exige que o poder seja exercido por aqueles que representam, de fato, a diversidade da sociedade. No Brasil, como mostra o Portal Mundo d’Elas, embora as mulheres sejam mais da metade da população e do eleitorado, sua presença nas esferas de poder, especialmente no Congresso Nacional (Câmara dos Deputados e Senado Federal), ainda é dramaticamente baixa. Essa sub-representação não é apenas uma questão de justiça de gênero; ela tem um impacto direto e negativo na qualidade das políticas públicas. Por isso, a chegada e a atuação da voz feminina nos parlamentos são cruciais, pois elas trazem à pauta legislativa temas historicamente negligenciados e reformulam a maneira como o país pensa o desenvolvimento social.

Quando mulheres ocupam cadeiras legislativas, a pauta da discussão pública se expande e se aprofunda. A presença feminina nas casas legislativas impulsiona a votação e a aprovação de projetos de lei que focam em áreas essenciais para a sociedade, mas que possuem um impacto desproporcional na vida das mulheres.

Estamos falando sobre temas como a primeira infância, a licença parental, o combate à violência doméstica, a equidade salarial, o acesso à saúde reprodutiva e o cuidado com os idosos e dependentes. Historicamente, estes temas eram relegados ao segundo plano, mas ganham centralidade e urgência quando há um número maior de mulheres com poder de fala e voto. A diversidade de experiências das parlamentares – sejam elas mães solo, ativistas, educadoras ou advogadas – enriquece o debate e garante que as leis sejam construídas com uma visão mais humana e abrangente.

A Luta Contra o Machismo Estrutural e os Desafios

Apesar dos avanços na representação, a jornada das mulheres na política é repleta de obstáculos. As parlamentares frequentemente enfrentam o machismo estrutural, manifestado em assédio, descrédito público e, em alguns casos, violência política de gênero. Essa violência visa desqualificar a mulher, não por suas ideias, mas pelo simples fato de ser mulher. Por isso, a aprovação de cotas de gênero para candidaturas e a criação de fundos eleitorais específicos são mecanismos importantes que buscam equilibrar o jogo, mas a luta contra a hostilidade no ambiente parlamentar é constante. A resiliência e a solidariedade entre as deputadas e senadoras se tornam, assim, ferramentas essenciais para a sobrevivência e o sucesso na vida pública.

A mudança na pauta legislativa não depende apenas das mulheres eleitas, mas também da pressão e do engajamento da sociedade. É fundamental que o eleitorado feminino reconheça o valor estratégico de votar em candidatas que demonstrem um compromisso genuíno com a agenda da equidade e dos direitos humanos. O aumento da representatividade feminina no Congresso não apenas melhora a qualidade da legislação, mas também fortalece a própria democracia, tornando-a mais justa e, finalmente, representativa de todos os brasileiros e brasileiras.

 

Imagem – Freepick

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