Por Sandra Monteiro, da Redação
O Portal Mundo d’Elas mostra, neste artigo, que o audiovisual – que engloba o cinema, a televisão e, cada vez mais, as plataformas de streaming – sempre foi uma poderosa ferramenta de construção de imaginários sociais. Por muito tempo, porém, as histórias contadas eram majoritariamente filtradas pela perspectiva masculina, resultando em narrativas limitadas sobre o universo feminino. Felizmente, o cenário está em plena efervescência: uma nova onda de mulheres está assumindo a direção, o roteiro e a produção no Brasil, injetando diversidade, profundidade e olhares inovadores que estão, de fato, redefinindo o cinema e a TV que consumimos.
O impacto mais imediato da maior presença feminina por trás das câmeras é a complexidade das personagens. Quando mulheres assumem o controle criativo, as figuras femininas nas telas deixam de ser unidimensionais – a mocinha, a vilã ou o interesse romântico – e ganham camadas de humanidade, contradições e motivações reais. Em roteiros e direções femininas, vemos narrativas mais honestas sobre a maternidade, a sexualidade, o mercado de trabalho, o envelhecimento e o combate ao machismo. Essa mudança é vital, pois oferece ao público feminino o tão necessário espelho de suas próprias experiências e, ao público masculino, uma janela para compreender a realidade de maneira mais completa.
A revolução no audiovisual não se limita ao cargo de diretora. Ela acontece também nas salas de roteiro, onde mulheres, como as criadoras de séries de sucesso, estão pautando discussões sobre questões raciais, de classe e de identidade. Acontece na Produção Executiva, onde mulheres assumem a gestão financeira e estratégica de grandes projetos, garantindo que o dinheiro chegue a histórias diversas. E acontece nas equipes técnicas, como na Direção de Arte, onde a presença feminina já é mais consolidada, mas onde se busca ativamente a equidade em outras áreas historicamente masculinas, como a Direção de Fotografia e o Som. A atuação feminina nessas funções é crucial para assegurar que todo o set de filmagem seja um ambiente mais acolhedor, profissional e livre de assédio.
O crescimento da presença feminina no audiovisual brasileiro também é reflexo de políticas de fomento e do trabalho incansável de coletivos e associações de mulheres. Iniciativas que incentivam a contratação e o financiamento de projetos liderados por mulheres, especialmente negras e indígenas, são essenciais para corrigir a desigualdade histórica.
A solidariedade e a criação de redes de apoio entre profissionais têm sido a base para que essas criadoras consigam superar os desafios de financiamento e de distribuição. Reconhecer essas cineastas e roteiristas que estão fora do circuito comercial mais óbvio – aquelas que trabalham em documentários, curtas-metragens ou no cinema de gênero – é fundamental para garantir que a nova onda do audiovisual feminino seja, de fato, duradoura e representativa de todo o talento nacional.
Imagem – Freepick