Por Sandra Monteiro, da Redação
Festas, shows, bares e blocos de carnaval são, por excelência, espaços de liberdade e celebração. Contudo, como vamos mostrar aqui no Portal Mundo d’Elas, para muitas mulheres, esses ambientes se transformam em palcos de constrangimento e violência, onde a alegria é interrompida pelo assédio. O assédio em espaços públicos e festivos — que vai desde olhares invasivos e toques não solicitados até abordagens agressivas — não é um “mal-entendido” ou uma “cantada”; é uma violação da integridade e da autonomia. Por isso, a difusão e a aplicação do Protocolo “Não é Não” se tornam vitais para reafirmar a cultura do consentimento e garantir que a segurança e o respeito sejam a regra, e não a exceção.
O Protocolo “Não é Não” é mais do que uma campanha; é uma ferramenta de mudança cultural que coloca o foco na responsabilidade de quem assedia e na garantia da autonomia da vítima. Seu princípio é simples e inegociável: o consentimento deve ser ativo, claro e revogável a qualquer momento. Em um ambiente festivo, onde a bebida e a euforia podem ofuscar o julgamento, a necessidade de um “sim” explícito e consciente torna-se ainda mais urgente. Não se pode presumir interesse ou permissão por causa da roupa, do sorriso ou do local onde a mulher está. O silêncio, a hesitação ou a embriaguez significam não. Adotar esse protocolo transforma a dinâmica social, ensinando que a intimidade deve ser construída com respeito, e não imposta.
O combate ao assédio em ambientes festivos não pode ser uma responsabilidade exclusiva das mulheres. Bares, casas de shows e organizadores de eventos têm um papel ativo e crucial, sendo corresponsáveis pela segurança de seu público. A implementação de protocolos internos claros, com equipes treinadas para acolhimento e intervenção, é um divisor de águas. Isso inclui a criação de “pontos seguros” para vítimas, a identificação e retirada imediata do agressor e a colaboração com as autoridades. Além disso, a sociedade civil, incluindo testemunhas e amigos, precisa se mobilizar. Testemunhar um assédio exige intervenção – seja chamando a segurança, distraindo o agressor ou oferecendo apoio à vítima – pois a omissão é cúmplice da violência.
A Importância de Denunciar e Buscar Apoio
Para a mulher que sofre assédio, saber que tem apoio e recursos disponíveis é fundamental. O Protocolo “Não é Não” encoraja a denúncia, que pode ser feita de forma discreta à equipe do local ou, dependendo da gravidade e da persistência do agressor, às autoridades competentes (Polícia Militar, Polícia Civil). O mais importante é que a vítima saiba que ela não está sozinha. A busca por redes de apoio, como amigos, familiares ou serviços de assistência jurídica e psicológica, é essencial para processar o trauma e garantir que medidas legais sejam tomadas. A cultura do “Não é Não” busca criar um ambiente onde as mulheres se sintam seguras para se divertir sem medo, e onde o agressor entenda que suas ações terão consequências reais.
Imagem: Cleverson Nunes / CMSJC