Zuzu Angel: símbolo de resistência na ditadura militar

Zuzu Angel: símbolo de resistência na ditadura militar

Por Sandra Monteiro

A ditadura militar que assolou o Brasil de 1964 a 1985 foi um período sombrio na história do país. Durante esse regime autoritário, muitas vozes foram silenciadas, mas também figuras determinadas, que se levantaram contra a opressão e se tornaram símbolos de resistência. Entre elas, a estilista brasileira Zuzu Angel, cuja luta pela verdade e justiça fez dela uma inspiração para muitos.

Zuleika Angel Jones, conhecida como Zuzu Angel, nasceu em 5 de junho de 1921, em Curvelo, Minas Gerais. Desde cedo, Zuzu demonstrou talento e paixão pela moda, o que a levou a se tornar uma das estilistas mais renomadas do país. Ela ganhou destaque por suas criações inovadoras e elegantes, que eram apreciadas tanto no Brasil quanto no exterior.

No entanto, a vida de Zuzu deu uma reviravolta trágica em 1971, quando seu filho, Stuart Angel Jones, um militante político de esquerda, foi preso e posteriormente morto sob custódia do regime militar. A partir desse momento, Zuzu se tornou incansável na busca pela verdade sobre o destino de seu filho e na luta contra a impunidade dos responsáveis ​​pela violação dos direitos humanos.

Determinada a expor a injustiça e a violência do regime militar, Zuzu Angel aproveitou sua posição e influência na sociedade para chamar a atenção para a situação. Ela organizou desfiles de moda em que denunciava as atrocidades cometidas pelos agentes do Estado, utilizando suas criações como uma forma de protesto. Suas roupas traziam mensagens políticas e estampas que retratavam a repressão, tornando-se um meio de expressão poderosa e corajosa.

Além disso, Zuzu não se calou diante das ameaças e emoções que recebeu. Ela atendeu por seu filho incansavelmente, visitando delegacias, prisões e até mesmo escrevendo cartas abertas às autoridades para requerer respostas. Sua coragem e coragem inspiraram outros pais e familiares de desaparecidos políticos a se unirem e exigirem justiça.

Infelizmente, a luta de Zuzu Angel teve um fim trágico. Em 1976, ela morreu em um acidente de carro em circunstâncias estranhas, levantando suspeitas de que sua morte tenha sido um assassinato encomendado pelo regime militar. Sua morte precoce, entretanto, não diminuiu o impacto de sua coragem e defesa na busca pela verdade e na defesa dos direitos humanos.

O legado de Zuzu Angel continua vivo até os dias de hoje. Ela se tornou um símbolo de resistência e coragem, uma mulher que enfrentou a ditadura militar com ousadia e liderança. Sua história e sua luta são lembradas como uma seguidora das injustiças cometidas durante aquele período sombrio e uma inspiração para todos que lutam por verdade, justiça e liberdade.

Ao homenagear Zuzu Angel, reconhecemos sua importância como uma figura emblemática da história brasileira. Sua coragem, talento e uso criativo da moda como forma de protesto a tornaram uma voz poderosa contra a opressão. Sua luta incansável e seu legado nos lembram da importância de nunca ficarmos em silêncio diante das injustiças e de continuarmos a buscar a verdade, mesmo nas circunstâncias mais difíceis. Zuzu Angel é um exemplo de resistência e uma inspiração para todos nós.

Eu não tenho coragem, coragem tinha meu filho. Eu tenho legitimidade“  Zuzu Angel “Eu, Zuzu Angel, procuro meu filho”‎ – Página 25, Virgínia Valli, Zuzu Angel – Editora Record, 1986 – 237 páginas

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