Beth Ghimel – Terapeuta Ocupacional

Beth Ghimel – Terapeuta Ocupacional

Olá, mulherada. Vocês estão bem? Anseio que sim! Então, senta que lá vem história.

Esses dias ouvi de um amigo muito querido (gay, sem interesse sexual em mim). A seguinte frase: “Beth, você é bonita demais. F*** que a gordura nos consome após os 50…40. Eu estou passando fome para ficar no meu peso”.

E aí eu pensei no que estava por trás daquelas palavras.

Ou seja, que eu, aos 60 anos, sou bonita, mas que seria muito mais se fosse magra. E que deveria estar fazendo sacrifícios para manter um peso que tinha aos 40 anos, quando tinha ainda um corpo escultural que não passava dos 56kg.

Bom, é óbvio que eu não romantizo estar acima do peso, até por questões de saúde, mas não faço de perdê-lo, meu propósito de vida. Acho que ninguém está acima do peso porque quer, mas condições emocionais, de doenças autoimunes e até alimentares mesmo dificultam o processo, quando nosso corpo já está avançando no tempo e perdendo a sua aceleração metabólica e fico pensando em que ponto isso se torna um propósito, a necessidade de ir para uma academia, fazer dietas, regimes, nos privar da alegria de comer bem, ou o que nós gostamos apenas para manter uma estética que vai agradar aos olhos do outro. Um sacrifício que normalmente não é feito apenas para manter-nos saudáveis, mas sim para manter-nos bonitas. Você costuma fazer dietas, regime, ir à academia na força do ódio, não para controlar a hipertensão, a glicemia, diabete, manter o coração saudável, mas por que quer continuar sedutora, apetitosa para o olhar alheio?

O que fazemos para nos escravizar tanto? Para entrar num padrão que em outras épocas foi justamente o oposto, mas que hoje nos impele a fazer sacrifícios, sofrer privações em nome de nos sentir inseridas no contexto social da mulher Moderna, que aos 50,60…e mais ainda mantém o viço e a perfeição física dos 30 anos?

Claro que manter uma dieta saudável e fazer exercícios físicos está mais do que comprovado que nos dá longevidade e melhora a nossa qualidade de vida. Não estou falando disso. Estou pontuando no exagero. E no massacre que muitas vezes somos alvo por estarmos acima do peso, até por nós mesmas que, ao olharmos no espelho, nos depreciamos e achamos que ninguém mais vai nos olhar com desejo só porque temos celulites ou gorduras localizadas, ou um “excesso de gostosura”, que só serve para ilustrar fetiches fugazes e nosso ego carente aceita como dádiva.

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